Daqui alguns dias esse blog faria aniversário de 1 ano sem postagens! Ou seja: um ano que morreu. O ressuscito hoje por uma espécie de masoquismo.
Quem torna o ato de escrever uma necessidade quase fisiológica por um período, quando deixa de escrever sofre indiscutivelmente. É como se parássemos de cagar.
Para amenizar a perda, deixamos de absorver coisas que nos levam a escrita, ou passamos a ignorar essas coisas. Deixa-se de viver para simplesmente existir. Ninguém escreve sobre o trânsito, os carros ao seu lado, as motos passando, exceto se isso compuser uma cena surreal. Do contrário, aquilo é o dia-a-dia, o cotidiano... o inevitável. Deixar de viver e passar somente a existir é ir pelo caminho do inevitável.
Escrever é justamente o enfrentamento, o combate com o inevitável.
*********
Um dia eu estava no metrô, e vi uma cena digna de filme do Almodóvar:
Um casal de cegos estava namorando no meio daquele corre-corre próximo a catraca. Pessoas indo pra casa, pra faculdade, pro shopping... e eles dois de frente um pro outro, como quem se olha nos olhos. E por serem os olhos o espelho da alma, mesmo cegos, acredito que era isso que eles faziam.
Um segurava a mão do outro, e com a outra mão cada um segurava a guia de seu cão labrador, que fazia então o papel de olhos. Os cães se cheiravam felicíssimos, rabos abanando e as patas quase arrastando os donos pra longe dali. Acredito que eles tenham parado para deixar o tumulto passar, posto que poucas pessoas os enxergariam.
Quando eu vi essa cena meu mundo parou por alguns segundos. Achei aquilo de uma beleza sobrenatural. Poesia pura e real.
Isso faz muito mais de 1 ano. Desde então vi poucas coisas parecidas.
Foi eu ou o mundo que mudou?
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Assinar:
Comentários (Atom)