quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Automação e Lazer

O avanço da tecnologia fez das indústrias um complexo de esteiras e robôs, onde a interferência humana se faz de forma mais técnica, distante do apertar de parafusos do personagem de Chaplin em Tempos Modernos. Isso fez surgir, dentro do processo de produção, uma demanda por profissionais com conhecimentos técnicos, aptos a identificar problemas e corrigir pequenas falhas de processo.



Com isso, o uso da força física do homem foi sendo substituída pelos Cavalos dos motores elétricos, e a necessidade de ficar repetindo um mesmo movimento foi suprida por rotinas implementadas em Controladores Lógicos Programáveis (CLPs). Num primeiro momento isso causou desemprego, mas o que estamos vendo hoje é a busca por especialização e o respeito pelos profissionais mais dedicados. Em diversas indústrias eu conheci alguns “Zés” que dominam todo o processo de produção, orientam programadores, corrigem falhas etc. Essas pessoas mal concluíram o Ensino Fundamental e hoje são avaliadas pela competência, o que as torna valorizadas pelo mercado; ganham bem por pensarem, não pelo uso de força bruta.
Como profissional da área Automação e sobretudo como humanista, me sinto orgulhoso do que está acontecendo. É óbvio que um gestor quando contrata um serviço de automação não pensa nisso. Pensa em reduzir custos, produzir mais em menos tempo. Mas estamos diante do que Gilberto Freire profetizou em 1966, numa conferência na UnB: “Dentro de uma civilização automatizada – uma civilização pós-moderna – desaparecerá segundo os melhores indícios sociológicos, o atual antagonismo capitalista-trabalhador para se estabelecerem novas formas de relações entre os homens. E o problema central para esses homens – inclusive para os brasileiros, cuja presença no mundo próximo ou futuro, vários futurólogos antevêem como importante – o maior desafio à sua inteligência, ao seu gênio, à sua ciência, à sua arte, à sua técnica, não será o da organização do trabalho mas o da organização do lazer”¹.
A organização do lazer é uma das formas de Serviço, que, junto com a comercialização de produtos, compõe o Setor Terciário. No Brasil, entre 1970 e 2005, a taxa de participação do Setor Terciário entre a população economicamente ativa subiu de 38% para 58%, e corresponde hoje a 57% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, conforme balanço do IBGE feito em 2005. Em países desenvolvidos a participação é de 70%, em média.
Por isso acompanhamos a proliferação de salões de beleza, buffets, escolas de idioma, de música, agências de turismo etc. Os setores Primário (extração de matéria prima) e Secundário (indústria) continuam precisando de mão de obra, mas esta agora é mais especializada, em menor número e conseqüentemente mais bem remunerada. Fora disso surge espaço para novos empreendedores, novos profissionais e “novas formas de relação entre os homens”. A sociedade está mudando.

Obra Citada: FREIRE, Gilberto. Seleta para Jovens. Rio de Janeiro, 1971. Editora José Olympio.

Economia

Até meus 6 anos, a palavra economia significava contar a quantidade de bolachas que cada um comeria no café da tarde. Eu tinha um primo que economizava: guardava um pouco pra comer depois; eu comia as minhas e queria comer as dele.
Depois veio o dinheiro, e meu primo também economizava: guardava num cofrinho pra comprar uma coisa bem bacana, mas ninguém sabia o que era. Eu comprava um pacote de bolachas e dividia com todo mundo.
O plano real surgiu e eu tinha 9 pra 10 anos; foi então que conheci uma outra economia que não era bolacha nem dinheiro de verdade (embora tivesse alguma relação com este que eu não compreendia muito bem). Deixei pra lá quando tentaram me explicar por que o ministro da fazenda tinha a ver com tudo isso. Fazenda?
Muito depois vieram os gráficos, a oferta, a demanda e Cia. Nada de bolachas e uma referência quase poética ao dinheiro – digo poética por que o dinheiro para os economistas é como o amor do poeta: a gente sabe que ele ama, sofre e chora... mas será que aquela mulher existe? Ou melhor: aquela mulher sabe que ele ama, sofre e chora?
Aí veio essa crise econômica de hoje, que já consigo entender melhor: meu primo, e um monte de gente igual ele, resolveu vender o cofrinho fechado, sem ver quanto tinha dentro. Todos sabiam que era muito, por que dava pra comprar uma coisa bem bacana. E o cofrinho foi passando de mão em mão, de banco em banco, até que resolveram abrir o cofrinho.O banco que abriu viu que o que tinha dentro era bolacha. Meu primo comeu o dinheiro!!!