quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Raison d'ego...

Talvez seja uma grande falha minha, mas tenho a sensação de que até hoje nunca trabalhei para uma empresa, mas sim para indivíduos. Num primeiro momento, numa empresa dita familiar, administrada mal e porcamente pelo filho caçula, sem educação (em todos os sentidos) e mimado. Depois, para um empreendedor nato: um cara jovem, de boa formação acadêmica, boas idéias, sucesso em ambientes corporativos, hoje de saco cheio de ter patrão (socialmente um estereótipo: jovem, separado, SUV, jeans, sapatênis e camisas “descoladas”, habitué de academias e esportes da moda).
Imagino que muitas possam ser as opiniões contrárias ao que eu disse: sempre trabalharemos para indivíduos, sejam eles os chefes, gerentes, presidentes etc. E tem os mais idealistas também: você não trabalha para fulano ou sicrano, mas para você mesmo, sua família, seus sonhos, blábláblá...
Não era isso que queria dizer.
Na minha visão, existe a possibilidade de trabalhar para uma marca ou uma idéia. Quando trabalhamos para o dono diretamente, dependemos da opinião e do humor daquela pessoa. Eu sou uma pessoa extremamente simbiótica: as empresas em que trabalhei eram representantes de marcas multinacionais, e eu queria incorporar a bandeira que estampávamos no cartão de visita. Na minha visão não fazia sentido utilizarmos coisas de outros fabricantes dentro da nossa empresa... Mas a empresa é dele, e a ordem é economizar.
Tenho dois exemplos, o primeiro não sei se é um mito: só é permitido aos funcionários da Volks estacionar no trabalho carros da própria Volks. O outro eu vivi: a empresa em que hoje trabalho é integradora de uma multinacional na área de eletricidade e automação. Alugamos um escritório maior, e neste escritório toda a parte elétrica era fornecida pela concorrência; eu quis de imediato trocar tudo pelo nosso produto. Mas não existe nosso produto; existe a empresa dele.
Trabalhar para o dono da empresa e não para a empresa pressupõe duas regras básicas: a dependência do humor daquela pessoa, e a redução de custo, custe o que custar (mesmo a razão do cliente vem depois da razão dele).

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