Até meus 6 anos, a palavra economia significava contar a quantidade de bolachas que cada um comeria no café da tarde. Eu tinha um primo que economizava: guardava um pouco pra comer depois; eu comia as minhas e queria comer as dele.
Depois veio o dinheiro, e meu primo também economizava: guardava num cofrinho pra comprar uma coisa bem bacana, mas ninguém sabia o que era. Eu comprava um pacote de bolachas e dividia com todo mundo.
O plano real surgiu e eu tinha 9 pra 10 anos; foi então que conheci uma outra economia que não era bolacha nem dinheiro de verdade (embora tivesse alguma relação com este que eu não compreendia muito bem). Deixei pra lá quando tentaram me explicar por que o ministro da fazenda tinha a ver com tudo isso. Fazenda?
Muito depois vieram os gráficos, a oferta, a demanda e Cia. Nada de bolachas e uma referência quase poética ao dinheiro – digo poética por que o dinheiro para os economistas é como o amor do poeta: a gente sabe que ele ama, sofre e chora... mas será que aquela mulher existe? Ou melhor: aquela mulher sabe que ele ama, sofre e chora?
Aí veio essa crise econômica de hoje, que já consigo entender melhor: meu primo, e um monte de gente igual ele, resolveu vender o cofrinho fechado, sem ver quanto tinha dentro. Todos sabiam que era muito, por que dava pra comprar uma coisa bem bacana. E o cofrinho foi passando de mão em mão, de banco em banco, até que resolveram abrir o cofrinho.O banco que abriu viu que o que tinha dentro era bolacha. Meu primo comeu o dinheiro!!!
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